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Espartano

Adicionado dia 2 de jan de 2018

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Poucas palavras.

Grandes grandes silêncios.

Longas pausas.

Traços esparsos.

Espaços vazios.

Economizo nas palavras

e no meu traço.

No entanto, ambos carregam turbilhões de emoções.

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Adicionado dia 15 de nov de 2017

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Dores

Adicionado dia 25 de out de 2017

Dores

 

Sinta a angústia da saudade. 
Sinta o amargo da incerteza. 
Sinta o mesa da solidão. 
O pânico te faz suar. 
Sinta. É real. 
Deixe que te dominem. Não resista. 

Eles se vão. 

Você se fortalece. 

Adicionado dia 24 de out de 2017

Ode to the Number PI

Adicionado dia 24 de out de 2017

I loved this poem, which I reproduce below.

Thanks to Maria Popova's wondeful blog post

 


 

 

PI
Wislawa Szymborska 

The admirable number pi: 
three point one four one. 
All the following digits are also initial, 
five nine two because it never ends. 
It can't be comprehended six five three five at a glance, 
eight nine by calculation, 
seven nine or imagination, 
not even three two three eight by wit, that is, by comparison 
four six to anything else 
two six four three in the world. 
The longest snake on earth calls it quits at about forty feet. 
Likewise, snakes of myth and legend, though they may hold out a            bit longer. 
The pageant of digits comprising the number pi 
doesn't stop at the page's edge. 
It goes on across the table, through the air, 
over a wall, a leaf, a bird's nest, clouds, straight into the sky, 
through all the bottomless, bloated heavens. 
Oh how brief - a mouse tail, a pigtail - is the tail of a comet! 
How feeble the star's ray, bent by bumping up against space! 
While here we have two three fifteen three hundred nineteen 
my phone number your shirt size the year 
nineteen hundred and seventy-three the sixth floor 
the number of inhabitants sixty-five cents 
hip measurement two fingers a charade, a code, 
in which we find hail to thee, blithe spirit, bird thou never wert 
alongside ladies and gentlemen, no cause for alarm, 
as well as heaven and earth shall pass away, 
but not the number pi, oh no, nothing doing, 
it keeps right on with its rather remarkable five, 
its uncommonly fine eight, 
its far from final seven, 
nudging, always nudging a sluggish eternity
to continue.

Adicionado dia 22 de out de 2017

My Dark Side

Adicionado dia 22 de out de 2017

My strengh comes from my silence.

That is my dark side supporting me.

Loneliness gives me complacency.

No need to be sorry for me.

I have no fear of hard storms and endless deserts.

That is my dark side supporting me.

I have my guides.

 

Darkness is my pal.

 

Doces Memórias

Adicionado dia 17 de out de 2017

Não me lembro de uma única vez em que minha tia não me oferecera algo gostoso para comer quando a visitava. Era uma doceira caprichosa e criativa. Se oferecia uma goiabada com queijo podia ter certeza que era uma goiabada caseira e com alguma coisa especial que me explicaria com detalhes. Sua gelatina, não era apenas uma gelatina, vinha em camadas colorias, tinha frutas. Tudo era bonito de se ver e nada era trivial. Toda vez era uma surpresa doce. 

Nos meus dias de garoto aguardava com ansiedade e curiosidade minhas idas a sua casa. Que sobremesa seria desta vez? 

Podia chegar a qualquer hora e dia que fosse, sempre havia algo gostoso para me oferecer. Era recebido com festa, com elogios. Era um ritual mágico de palavras seguido de seus doces, que tinha que provar e, obrigatoriamente, repetir. 

Acho que um certo dia a peguei meio desprevenida, mas muito temporariamente, pois ela logo se arrumou. Escutei bem baixinho que mandava uma de minhas primas a sorveteria comprar picolé de côco. De repente me chamou à cozinha para tomar um frapé de côco recém surgido. Não esqueci porque foi o meu primeiro frapê. Foi lá que me iniciei no mundo dos pães de ló, bolos, compotas, brigadeiros, fios de ovos. Sim, o repertório era sempre calórico e o cardápio mellitus por excelência. Ainda bem que os tempos eram outros e os doces não eram condenados.

Cresci entre uma visita e outra, cada vez mais espaçadas.

Meus filhos quase não a conheceram direito. Eram pequenos, mas eu os levei para visita-la em 2 ou 3 ocasiões. Lembro de haver tentado criar toda aquela expectativa da história de Joaozinho e Maria, sem a bruxa, obviamente. Era um pouco desse encantamento da minha infância que procurava que contagiasse meus filhos.

Sempre me senti bem vindo naquela casa e assim abastecia minha gula de doces e de fantasias. 

Bom ter memórias assim. 

Memórias de doces. 

Memórias doces

Doces memórias.

O Juiz

Adicionado dia 17 de out de 2017

O menino saiu correndo pelo campo de futebol feliz da vida. A ansiedade se misturava com orgulho que ele não conseguia esconder. Transpirava pela testa, respirava aos atropelos. Corria freneticamente. Suas bochechas vermelhas se destacavam no campo verde daquela bonita manhã de inverno. Ele queria chegar logo perto de seus amigos que estavam do outro lado do campo.

-Poxa, que campo sem fim! Meu pai aceitou ser o juiz da partida! Repetiu para si mesmo enquanto corria ofegante para outro lado.

Sim, seu pai era o juiz da partida! Que importante que ele se sentia naquele momento. Era tanto orgulho que não cabia naquele corpinho nervoso de criança. 

O pai estava lá ficando cada vez mais distante no canto oposto, enquanto os amigos aguardavam algum sinal para começar aquele jogo. Aquela criançada estava aflita fazia tempo. Aquela notícia faria o menino virar o herói da turma. 

O time adversário estava chegando ao campo e não havia nenhum adulto disponível para ser juiz da partida. Estavam todos ansiosos para arrumar um adulto que pudesse ser o juiz.

O menino acelerou nos metros finais, não via hora de contar a notícia para os amigos.

-Agora está tudo certo, disse ofegante. Meu pai resolveu a questão e vai ser o juiz. Bradou com o peito empinado de orgulho aos amigos.

Lá do outro lado, o pai estava muito constrangido porque mal entendia as regras de jogo de futebol e agora seria o juiz. Jamais fora capaz de jogar uma partida inteira na sua vida! Era o eterno goleiro reserva dos times da infância. Havia aceitado aquele posto porque viu que era o único adulto ali por perto e, olhando aquela criançada toda achou que era coisa certa a fazer. 

Não podia imaginar que o filho ficaria tão feliz com isso. Era, de certo modo,  uma surpresa desconcertante a reação admirada do filho. Ao mesmo mesmo tempo isso lhe aumentava mais sua responsabilidade de juiz da partida.

Quando viu o alívio dos meninos se deu conta que essa celebridade repentina também lhe fazia um bem danado. Sentiu o gostinho de ser o salvador da pátria por uns instantes.

Pensando assim, muniu-se de coragem para enfrentar publicamente sua ignorância.

O pai agora via a criançada correr na sua direção com a bola na mão de um deles. O filho liderava tropa, o que não era muito comum vê-lo assim com tamanha segurança de comando.

Pai filho estavam honestamente felizes. Cada um a seu modo. Cada um com seu motivo.

Era mesmo campo enorme, ficou derrepente? Pensou o pai olhando para os lados.

Aos poucos ia identificando as conversas nervosas das crianças combinando estratégias e passes. Que interessante tudo isso. Como era bom poder participar de coisas desse tipo, voltou a ter uns nove anos novamente. Só que agora era um protagonista muito discreto de um evento esportivo. Era uma novidade. 

O jogo ia começar. O outro timinho havia chegado e já estava em campo. Havia no ar o frisson danado. Camisetas coloridas saltavam de um lado para outro. O outro time parecia ser  muito bom mesmo. 

O filho foi para o gol.

Triste sina essa a da sua prole. E logo quando alguma bola ameaçava os companheiros corriam para o gol para garantir. É, durou muito pouco aquela sensação de herói do filho. Vendo isso, percebeu que sua responsabilidade havia dobrado. Ficou solidário com o moleque.

Agora era ele quem começava a suar profusamente. Olhava para todos os lados aflito. Corria para lá para cá. Tentava se recordar dos jogos vistos na televisão. Nao eram muitos, eram os das copas do mundo. Passou a atuar como se fosse um grande ator, obedecia a sua intuição, lembrava das imagens de televisão, as conversas de comentaristas chatíssimos de futebol. De vez em quando vinham também flashes de suas passagens desastrosas das  peladas da infância.. Pensava que havia apagado essas imagens da sua memória.

O jogo começou a ficar tenso. A criançada começou a reclamar. Era falta aqui, falta ali. Meu Deus! Tinha que estar atento, e não tinha a menor ideia de como conduzir aquelas confusões e usar aquele apito. Espertamente começou a distinguir aqueles que pareciam ser mais entendidos ( os que mais bronqueavam) e, disfarçadamente, atendia aos reclamos deles com a parcimônia e com aquele ar de autoridade que ele se descobriu de repente. Distribuía assim as faltas entre os times. 

Fez o jogo ir mais rápido, adiantou ou seu relógio. Mesmo assim parecia interminável aquele suplício.

Ao final, Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Ufa.

O time visitante havia ganho e os coleguinhas do filho vazaram sem muito alarde.

Efetivamente não tinha sido um grande juiz, reconheceu o pai consigo mesmo, mas tratou o filho como se vitoriosos fossem. O filho de maneira muito discreta se meu conta disso, mas muito sabiamente escondeu sua decepção, principalmente do pai. No fundo ambos estavam felizes. O jogo perdido, os erros do juiz ladrão e incompetente, o goleiro  frangueiro, tudo isso não tinha a menor importância.

O filho, com aquela diplomacia e sensibilidade sempre depois lhe caracterizariam, deu a mão para o pai e saiu orgulhoso com ele do campo.

Em um troca honesta e sincera, o pai lhe dava tapinas nas costas fantasiando as defesas inexistentes do filho-goleiro.

Contariam uma história de sucesso quando chegassem em casa. Tornariam-se cúmplices, justos e gentis um com o outro.

Nunca se esqueceriam de como era bom poder confiar em alguém tão profundamente e ter segredos entre pai e filho.


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